Gostar ou odiar Oasis é uma tarefa indigna.
Para os que gostam, é indigna por que eles se repetem com maestria desde 2000, quando lançaram o disco que na minha opinião era uma amostra de que eles queriam realmente mudar o que vinham fazendo, o Standing on the Shoulder of Giants. Digo isso porque o Be Here Now, de 1997, já dava uma amostra disso, sendo seguido de uma coletânea de lados B para ocupar o espaço de um disco de inéditas, o interessante The Masterplan. Abria-se espaço para a invoação e mantinha-se o sabor de “já comi isso antes” na boca…
Para os que odeiam, é indigna porque é impossível não notar a capacidade de escrever canções perfeitas para serem executadas em estádios e cantadas por milhares de pessoas. É complicado dar o braço a torcer e enfim admitir, que mesmo escrevendo as mesmas canções desde 2000, os caras ainda lancem “boas” músicas para grandes shows.
Gostar mais ou menos, não ligar para eles [que são quem realmente movimenta a banda - foi mals, Andy Bell]… tudo isso é aceitável, mas não exatamente compreensível. Como passar incólume às canções escritas em sua maioria por Noel Gallagher? Como ignorar a capacidade que este cidadão tem de escrever temas não inspiradores, não poéticos, mas sim divertidíssimos? Seja qual a sua impressão sobre Oasis, é preciso dizer que ela só faz sentido se envolver um “sim, cara, eu gosto/odeio eles de coração”. Afinal, não dá para torcer para o Flamengo num fim de semana e pelo Vasco da Gama no outro, dá?
Vencidos estes pontos, vamos aos méritos e deméritos de Dig Out Your Soul, o sétimo disco do grupo que já tem mais de 14 anos de estrada e que continua fazendo um rock inglês digno de nota.
Bem, a grande questão quando se dá o play em um disco do Oasis dos anos 00 é a dificuldade de existir uma canção que realmente te tire o fôlego. Embora The Hindu Times, do meu adorado Heathen Chemistry, quase tenha conseguido isso, nada se compara à primeira audição de Supersonic ou D’You Know What I Mean?. Assim como outros grupos, note-se que bem mais novos que o Oasis, a curva decrescente de qualidade de suas produções é visível. E aí aparece o argumento irrefutável: ainda assim é o Oasis e ainda assim é praticamente impossível não sentir uma anti/empatia por suas canções. Talvez o maior mérito do Oasis é não passar batido nunca. Mesmo que o mundo ligue cada vez menos para o que eles digam.
Os mais ranzinzas vão dizer que com o talento de “plagiadores” do Oasis, esta perda de fôlego é completamente esperada. “As pessoas se cansam de ouvir as músicas dos outros tocadas pelo Oasis”, diriam eles. Bobagem, ranzinzas, bobagem. Embora neste Dig Out Your Soul exista uma “acusação” de plágio, na faixa The Turning, é injustificável acreditar que o Oasis esteja perdendo o jeito de fazer música. O único porém é que, descoberta a fórmula, os filhos de operários de Madchester não vão largar o osso nunca.
Então o que se pode dizer de verdade sobre o Dig Out Your Soul? 1 - que nem de longe ele é o disco que prometeu ser e que 2 - não é decepcionante. O apelo pop que Noel Gallagher conseguiu atingir nos torna indefesos a The Shocking of The Lighting, primeiro single do disco. É o mesmo apelo usado em Stop Crying Your Heart Out e Layla, para ficar com exemplos dos dois álbuns anteriores. Ain’t Got Nothing, To Be Where There’s Life e Falling Down são as que talvez mais perto consigam chegar da intenção tão inovadora que ronda DOYS.
A Rolling Stone brasileira disse que ninguém mais liga para o Oasis, Noel Gallagher faz piada quando diz que o Radiohead faz o mesmo disco desde o Kid A e eu digo que Dig Out Your Soul vale ao menos uma audição. Vai lá e dá um confere.
Este disco está disponível aqui.



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Giul
Gostei dos seus apontamentos sobre o álbum. Fiz uma resenha e as pessoas que leram vieram comentar comigo que, pela primeira vez, fui bonzinho com o Oasis. Mas, acredito neste álbum como um bom trabalho, e o que tu disse “a grande questão quando se dá o play em um disco do Oasis dos anos 00 é a dificuldade de existir uma canção que realmente te tire o fôlego”, para mim nunca teve uma que tirasse o fôlego, mas talvez, como tu tb disse, o Oasis faça músicas para estádios, e só ali se consiga um momento sublime… e passageiro.
dez 11th, 2008
Reply to “OASIS: UMA MALDIÇÃO INESCAPÁVEL”